Enfermagem Unidade de Terapia Intensiva

Enfermagem Unidade de Terapia Intensiva

1º Módulo: Introdução

 

A Unidade de Terapia Intensiva desempenha, atualmente, um papel decisivo na chance de sobrevida de pacientes gravemente enfermos, sejam eles vítimas de trauma ou de qualquer outro tipo de ameaça vital. Tal papel tem crescido muito em decorrência da maior quantidade de casos que têm surgido, decorrentes da maior violência civil, e a qualidade de suporte de vida tem acompanhado a evolução da tecnologia de ponta. A própria melhoria das condições de vida, mesmo em países do terceiro mundo, tem aumentado a longevidade da população e, conseqüentemente, aumentado a quantidade de comorbidades que atingem tais pacientes, expondo-os a um risco maior de serem vítimas de emergências traumáticas ou não traumáticas, aumentando a chance de internação em Unidade de Terapia Intensiva.

A porcentagem de leitos de Terapia Intensiva necessários varia de 7 a 15%, dependendo das características próprias de cada hospital.

A incorporação de tecnologia advinda da informática tem permitido o desenvolvimento e a modernização de vários equipamentos de monitorização dos diversos sistemas fisiológicos do organismo humano, desde ventiladores mecânicos com a incorporação de vários modos de assistência respiratória completa ou parcial, até bombas de infusão com o controle mais exato da dosagem dos medicamentos e de seus diluentes. A maior complexidade do serviço, tanto em termos de equipamentos, quanto dos recursos humanos, associada a uma maior quantidade de casos oriundos das diversas clínicas (cirúrgica ou não) passíveis de internação na Unidade de Terapia Intensiva fez com que, necessariamente, esta especialidade médica desenvolvesse um caráter multidisciplinar, envolvendo médicos das diversas especialidades, além de profissionais não médicos, como enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Este envolvimento de profissionais de diversas áreas tornou o gerenciamento da Unidade de Terapia Intensiva mais complicado, uma vez que o esforço de todos estes profissionais deve ser canalizado para o melhor cuidado com o paciente. As diferenças de interpretação e de condutas entre as diversas clínicas e profissionais fez com que fosse necessária a presença constante do intensivista para estabelecer uma base lógica de raciocínio e de ações para os vários casos. O intensivista necessita, então, de ter uma formação médica generalista muito bem fundamentada e a educação continuada deve ser prática constante.

Toda esta complexidade incrementou os gastos hospitalares, criando a necessidade de uma racionalização do sistema e das indicações de internações. Criaram-se vários índices prognósticos, notadamente o Acute Physiologic And Chronic Health Evaluation (APACHE), numa tentativa de quantificar a gravidade e estimar a sobrevida do paciente. Tais índices não devem ser levados em conta, individualmente, como critério de internação ou de recusa para internação de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva, visto que a variação dos índices, dentre os subgrupos de doenças, é muito grande, mas, servem como um dado geral para o seguimento dos pacientes, e o aprimoramento desses índices, com o tempo, os tornarão mais adequados.

A preocupação com os elevados custos torna necessária uma padronização e sistematização do serviço médico e de enfermagem, num esforço conjunto para se evitarem desperdícios de toda ordem, desde medicamentos e soluções endovenosas até gases medicinais. É necessária uma constante avaliação desses custos, individual e coletivamente, dentro da Unidade de Terapia Intensiva.

O serviço hospitalar deve estar bem integrado no contexto em que a Unidade de Terapia Intensiva se insere, pois os cuidados nas enfermarias das diversas especialidades médicas devem ter uma preocupação constante com a qualidade da assistência oferecida aos pacientes. Isto é realizado através de freqüentes atualizações e pela presença constante de médicos envolvidos na assistência. Caso contrário, a Unidade de Terapia Intensiva passará a ter boa parte de seus leitos preenchida por complicações evitáveis das enfermarias, como é o caso do desenvolvimento de insuficiência renal aguda na sua forma pré-renal, causada pela inadequada hidratação do paciente na enfermaria. Porém, uma vez desenvolvidas estas complicações, a internação em ambiente de Terapia Intensiva deve ser precoce e não retardada, como de costume, o que compromete o resultado final e eleva o tempo de internação e os gastos hospitalares.

Outro aspecto importante dentro dessas unidades tem sido a identificação de pacientes com morte encefálica, através de um diagnóstico ágil, e rápido, para que se possa discutir com a família a possibilidade de doação de órgãos. Após a constatação da morte encefálica, a Organização de Procura de Órgãos (OPO), já acionada, fará o contato com os familiares. Em casos de doações autorizadas pelas famílias, as diversas equipes de retirada de órgãos são contactadas, para que a captação dos órgãos aconteça o mais rápido possível.

O contato da equipe médica e de não médicos da Unidade de Terapia Intensiva com as famílias é outro tópico importante, pois, sendo um local onde o risco de mortalidade é elevado, os sentimentos estão bastante fragéis, sendo que a exposição dos fatos e o cuidado em confortar os familiares deve ser cauteloso.

 

A própria equipe multidisciplinar da Unidade de Terapia Intensiva é bastante exposta, emocionalmente, pelo vínculo criado com pacientes e familiares, gerando ansiedade e desajustes individuais. Deve haver reuniões periódicas, de preferência sob a supervisão profissional de um psicólogo ou psiquiatra, para a discussão desses fatos e melhor resolução dos conflitos. Para o gerenciamento da Unidade de Terapia Intensiva, o ideal é que se tenha um grupo de trabalho representativo, composto por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e auxiliares de enfermagem, que procure identificar os problemas de toda ordem e apontar as possíveis soluções. O grupo deve estar empenhado na busca de uma melhor eficiência do trabalho, racionalizando e sistematizando toda a rotina da unidade. Outra função importante é a educação continuada dos diversos profissionais envolvidos na assistência, bem como a discussão de quais as tecnologias que devem ser incorporadas à rotina, através de uma análise da facilitação do trabalho e redução dos custos totais com a aquisição de novos equipamentos.

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